Lançado em junção ao selo alternativo BANA (beasts and natives alike), Solitary tem um sentido poético muito bem trabalhado na letra da música, com a impressão de um isolamento proposital do minimalismo que construiu diante do público, mas que é eclipsado pela trivialidade do som escolhido para passar essa mensagem, som exaustivamente lançado e reinterpretado de 2017 para cá nas mãos de gente que sequer conversam com som ou imagem de KRYSTAL e que muito menos manifesta entusiasmo para ser desenvolvido como moldura de uma carreira solo.
| Capa do single. Fonte: KTOWN4U Co.,Ltd. Disponível em: https://www.ktown4u.com/iteminfo?goods_no=151518. Acesso em: 30 dez. 2025. |
KRYSTAL não é conhecida pelos excessos vocais, o que acentua a previsibilidade do som que normalmente tende a complementar a falta de dinamismo na melodia vocal. Isso de certo modo demonstra o quanto uma direção sonora aventureira é necessária para estender a longevidade da música e, numa visão de futuro, de um estrelato. A situação muito lembra o retorno de sua irmã Jessica após a saída do grupo Girls' Generation em 2014, em que com tom básico, atrasado e pouco inventivo, sequer se guiando pelas proezas vocais da cantora, os lançamentos não tomaram ignição estilística para se manterem na rotação das rádios, sendo diretamente minados pelas relações-públicas já em desvantagem de sua realocação de produtoras. Em ambos casos, faltou-se buscar o equilíbrio aristotélico das competências do intérprete ou então desafiar o público com extravagâncias que demandem tempo para compreensão e gesticulem interesse a longo prazo. Nada disso foi explorado aqui, apenas o basal para uma figura incrivelmente peculiar a quem se esperava pela surpresa artística.
Não ditando o fim, há de se ter esperanças de que este seja um teste de águas enquanto single de estreia pelo medo da rejeição ao peculiar, e que este venha a ser dialogado no futuro. Enquanto isso, esse som não é interessante para o agora, pois esteve entre nós desde muito tempo, de maneiras muito melhor desenvolvidas. Por isso fica o gosto residual: se a intenção é comemorar a própria liberdade pela privacidade, por que o fez em música tão constrita, de tão pouca celebração? Com monotonia de texturas e de cores, o que poderia ser de uma passarela de Yohji Yamamoto se mostrou apenas um conjuntinho superestimado da BLANC & ECLARE.
Solitary (2025) - KRYSTAL | BANAprós.: mensagem inofensivamente fidedigna.
cons.: entregue como lugar-comum, montanhas deverão ser movidas para este major debut manter impacto.
★★☆☆☆ 2/5
👎
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