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terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Mirando na solitude e acertando na solitária, KRYSTAL surpreende a todos com seu retorno pra lá de genérico

    
De um retorno piamente esperado pelo público, que tecia fé na segunda vinda de KRYSTAL aos holofotes, muito se era ansiado sobre a capacidade de carregar o conceitual com naturalidade em sua música, advindo de como sua identidade foi compartilhada a conta-gotas em incrível e luxuoso blasé a partir de recomendações de jazz, fashionismo elegante e viagens pela Europa. Esse momento finalmente chegou e Solitary é definitivamente uma surpresa para os ansiosos! Indo pela direção contrária de todos os esforços criativos dos últimos anos no kpop (marcados principalmente pelas revoluções feitas por seu grupo f(x)), KRYSTAL dá as caras ao mundo com um genérico, apático e datado mellow trap.

    Lançado em junção ao selo alternativo BANA (beasts and natives alike)Solitary tem um sentido poético muito bem trabalhado na letra da música, com a impressão de um isolamento proposital do minimalismo que construiu diante do público, mas que é eclipsado pela trivialidade do som escolhido para passar essa mensagem, som exaustivamente lançado e reinterpretado de 2017 para cá nas mãos de gente que sequer conversam com som ou imagem de KRYSTAL e que muito menos manifesta entusiasmo para ser desenvolvido como moldura de uma carreira solo.

Capa do single "Solitary", da cantora coreano-estadunidense KRYSTAL. A capa é composta por plano de fundo azul claro com a artista em debruçada à direita, se equilibrando sobre os braços. Seus cabelos lisos caem sobre o braço direito e a pose é emoldurada entre os ombros e os cotovelos, tomando todo o torso e rosto de KRYSTAL. Ela veste suéter fino branco rente ao corpo com abertura nas costas.
Capa do single. Fonte: KTOWN4U Co.,Ltd. Disponível em: https://www.ktown4u.com/iteminfo?goods_no=151518. Acesso em: 30 dez. 2025.

    KRYSTAL não é conhecida pelos excessos vocais, o que acentua a previsibilidade do som que normalmente tende a complementar a falta de dinamismo na melodia vocal. Isso de certo modo demonstra o quanto uma direção sonora aventureira é necessária para estender a longevidade da música e, numa visão de futuro, de um estrelato. A situação muito lembra o retorno de sua irmã Jessica após a saída do grupo Girls' Generation em 2014, em que com tom básico, atrasado e pouco inventivo, sequer se guiando pelas proezas vocais da cantora, os lançamentos não tomaram ignição estilística para se manterem na rotação das rádios, sendo diretamente minados pelas relações-públicas já em desvantagem de sua realocação de produtoras. Em ambos casos, faltou-se buscar o equilíbrio aristotélico das competências do intérprete ou então desafiar o público com extravagâncias que demandem tempo para compreensão e gesticulem interesse a longo prazo. Nada disso foi explorado aqui, apenas o basal para uma figura incrivelmente peculiar a quem se esperava pela surpresa artística.

    Não ditando o fim, há de se ter esperanças de que este seja um teste de águas enquanto single de estreia pelo medo da rejeição ao peculiar, e que este venha a ser dialogado no futuro. Enquanto isso, esse som não é interessante para o agora, pois esteve entre nós desde muito tempo, de maneiras muito melhor desenvolvidas. Por isso fica o gosto residual: se a intenção é comemorar a própria liberdade pela privacidade, por que o fez em música tão constrita, de tão pouca celebração? Com monotonia de texturas e de cores, o que poderia ser de uma passarela de Yohji Yamamoto se mostrou apenas um conjuntinho superestimado da BLANC & ECLARE.

Solitary (2025) - KRYSTAL | BANA
prós.: mensagem inofensivamente fidedigna.
cons.: entregue como lugar-comum, montanhas deverão ser movidas para este major debut manter impacto.
★★☆☆ 2/5
👎

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