G02MP
Inscreva-se para acompanhar as publicações deste blog.

terça-feira, 13 de outubro de 2026

O diferencial de A2O LITE é sustentar a autêntica experiência da terceira geração do kpop

Montagem digital criada a partir de cenas do videoclipe NEON do grupo de kpop A2O LITE. Com uma composição de cores neon em grande contraste, algumas das integrantes do grupo aparecem em poses estáticas ao fundo, coloridas com tons de cinza rosa, lilás e azul claro. Elas são sobrepostas por close-ups de rosto de mais outras integrantes, que são finalizadas em detalhes neon azul sobre tons naturalistas de pele ou totalmente pintadas de rosa, roxo e azul. A imagem é detalhada por pequenas massas de cor no formato de pétalas e pequenos efeitos de pixel sorter formados a partir da edição de poses da coreografia do grupo. Pixel sorter é uma técnica de erro computacional com a aparência de tiragens esticadas de cor, que na cena aparece em baixa opacidade para complementar os detalhes da composição.
     Se o mercado pop contemporâneo navega num eterno balanço entre nostalgia e novidade, Soo-Man Lee segue com a proposta de trazer tecnologia à memória, aos poucos retornando seus projetos para a cena musical sul-coreana onde fundamentou seu nome por mais de trinta anos. A2O LITE é a aguardada estreia da companhia, um grupo feminino flexível capaz de se organizar (entre unidades, membros e gêneros) a depender da demanda estilística do momento. Solidificando o homerismo enfatuado do empresário, NEON, o single de debut do grupo, não entrega um som experimental ou futurístico, contudo faz como sua distinção o emprego acurado do formato apogeu do kpop.

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Pang Pang Pang traz o apetite que faltava à mesa da nova fase de Kyary Pamyu Pamyu

Montagem digital a partir das duas imagens promocionais até então lançadas para o single Pang Pang Pang. Na composição, Kyary aparece ao centro dentro de uma estrela desenhada. Sua imagem é editada de forma a abafar os tons e criar contrastes às áreas de luz, como uma fotografia antiga desbotada. Ao redor dessa estrela, que é texturizada para parecer um vidro de urânio, uma grande fotografia da cantora toma conta de toda a porção direita da tela e é recortada no lado esquerdo pela coluna de um armário de cozinha.

    Está sendo turbulenta a temporada de lançamentos de Kyary Pamyu Pamyu, ora acontecendo aos atrasos, ora na surdina ou debilitada das qualidades que acompanham sua carreira. Seja qual for o empreendimento, o que se vê constante nesse ano é o quão presente a artista tem sido, emendando shows, comemorações, músicas e produtos sucessivamente ao passo de ter seu nome de volta às campanhas publicitárias de mídia mista que expandem seu som e imagem a projetos exteriores. Em associação à emissora pública japonesa NHK, Pang Pang Pang é a música de encerramento da animação PANDOROBO e surpreende por continuar na cena hardcore da música eletrônica como KURU KURU HARAJUKU, alinhando as ideias até então avulsas do esperado álbum de 2027.

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

A multiplicidade de línguas, ritmos e colaborações faz de LOST IN LUST um álbum encontrado na sua proposta de abrasileirar o pop mundial

Montagem digital simples feita com imagens da apresentação do sétimo álbum de Pabllo Vittar, LOST IN LUST. A composição é feita a partir de plano-de-fundo preto sem detalhes em que uma amálgama de imagens de Vittar é mesclada e editada em tons de azul, amarelo, branco, preto e rosa, criando grande contraste entre as sombras e deixando com que diferentes poses e ângulos da cantora se mesclem a partir da roupagem clara que ela veste (feita de penas e tecidos finos), funcionando como uma tela para projeção. A drag queen se situa inclinada à direita da composição, angulada para trás, com um close-up de seu rosto tomando toda a proporção baixa esquerda da cena.

    Seguindo o ciclo fortuito de lançamentos de Pabllo Vittar em que o direcionamento internacional nada mais traja do que uma expansão linguística de sua já solidificada expressão, LOST IN LUST faz uma mistura honorável entre a tecnologia que constrói a música brasileira e sua cena musical paradigmática: a eletrônica. Não designado a um calendário específico como o EP Prazer, Mamãe Noel ou ao fenômeno da indústria local de produzir músicas que norteiem o som das festividades de início do ano, o álbum troca a validade temporal pelo argumento espacial da boate, implicando longevidade sem defasar a experiência de seu som ao contexto cultural do país.

domingo, 27 de setembro de 2026

Entre a dissociação e a dissolução, Dogma traduz violência em um sentimento tímido

Colagem digital azul, branca e preta a partir de vídeos da gravação do álbum Dogma publicados no canal da gravadora BANA. Imagens do rapper Kim Ximya se metamorfoseiam numa só figura que se inicia em uma pose lateral no topo direito da imagem e se torna uma silhueta que olha diretamente para o espectador na base esquerda da colagem. A cena é recortada por uma linha azul vibrante que se mescla a uma das silhuetas do artista.

     Há certa admiração em analisar como as cenas contraculturais da Coreia do Sul se desprenderam do estereótipo da obra alternativa como arte bruta musicalmente amadora ao aperfeiçoar as ideias frescas de sua composição no refinamento sonoro dos lançamentos convencionais do mercado, porque de certa forma são ocupadas por mesmas instituições criativas com acesso às estruturas técnicas consolidadas da música pop para a finalização desses projetos. Dogma, o álbum de retorno de Kim Ximya desde Dog, de 2020, sequer se distancia do som semi-experimental que abrange o kpop contemporâneo, mas traz como diferencial uma ansiedade lírica acanhadora da ferocidade presente em sua assinatura artística.