O sucesso de KATSEYE é coletivamente interessante para o mundo da música por conseguir formar uma ponte bem-feita entre o kpop e as conhecidas dinâmicas globais de grupos anglófonos sem exatamente um preconceito determinado pela geografia, já que a crítica se concentra na qualidade estética questionável de suas produções. Com WILD, o retorno após os turbulentos afastamentos das integrantes Manon e Sophia, o grupo permanece no lançamento de formatos muito próximos (ainda que em gêneros distintos) para estabelecer sua assinatura, o que embora possa a longo prazo limitar a diversidade musical, por enquanto as coloca como um marco discursivo: pensou em canções curtas, mal resolvidas e recitadas em frases de efeito petulantes? Pensou KATSEYE!
No mercado saturado por repaginações sincrônicas do 2-step e DnB da primeira metade dos anos 2000, em grande parte devido ao catálogo da HYBE e de seus selos, nomear grupos como embaixadores de um contraponto estilístico é a estratégia comercialmente agressiva da empresa para se manter a qualquer custo à frente do fenômeno formador da cultura pop. Sob o estereótipo de que todos os excedentes do trap híbrido são reformulações dos singles pregressos de KATSEYE, é trazido um protagonismo para posicionar consistentemente essas produções como competências conceitualmente palpáveis, mascarando na simplicidade repetitiva de suas estruturas a acessibilidade de sua compreensão. Gnarly, Internet Girl, PINKY UP ou Hootie Frutti não detêm espacialidade ou identidade advinda dos ritmos, referências e sotaques que apropriam, porém têm seus lançamentos assegurados pela formatação mercadologicamente internacional do grupo (com quatro estadunidenses, uma suíça e uma sul-coreana de variadas ascendências culturais) capaz de tornar o funk automotivo, techno, house etc. frutos de uma mesma ideia quando esfacelados em similares propostas apátridas. A grande pauta é o empobrecimento estilístico das discografias associadas à HYBE, que no sucateamento da profundidade artística faz a crítica afetada por falácias dialéticas que definem o apreço diante da obra para além de sua qualidade técnica ou recepção, falsificando a impressão pública dessas canções pela capacitação de nomes estimados e independentes em seus créditos, como a presença de Alice Longyu Gao na criação de Gnarly ou de The Deep em It’s Me, do grupo ILLIT, dissociando-as de serem tabeladas por bem desenvolverem seus gêneros ou proporem singularidade experimental em detrimento do apelo à autoridade de sua interação.
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| Capa do EP |
A análise cai nessa malha fina de isolar a produção da trajetória da marca e faz da recepção (formal ou amadora) próxima de um ataque sacrificial sem valor de autenticidade, juntamente estagnada pelo ciclo de padronização musical que não se desdobra no restante do lançamento, cujas potencialidades são largadas desorganizadamente nas faixas seguintes. Embora boas concatenações completem o EP, é clara a falta de refinamento para se operarem individualmente. WILD é disperso e obsoleto, com composições muito características do tempo em que foram desenvolvidas e que se sustentam aptos à admiração, mais uma vez, pelos nomes potencializados em seus créditos. O efeito de neutralidade que convida o público também o subestima da capacidade interpretativa e definha o debate a um eterno comparativo de quem está fazendo o quê inspirado em quem, impossibilitado de engrandecer os talentos ou a durabilidade imaginativa do grupo.
WILD (2026) - KATSEYE | HYBE UMG LLC, Interscope Geffen A&M UMG LLC
prós.: a monotonia estilística que elege KATSEYE como ícone referencial faz a troca da complexidade artística pela estabilidade efêmera de um renome.
cons.: trabalhos recheados por músicas secundárias datadas e singles no limiar entre o interessante e o ofensivo não ampliam a vitalidade ou os méritos qualitativos do grupo.★☆☆☆☆ 1/5
👎

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