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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

A multiplicidade de línguas, ritmos e colaborações faz de LOST IN LUST um álbum encontrado na sua proposta de abrasileirar o pop mundial

Montagem digital simples feita com imagens da apresentação do sétimo álbum de Pabllo Vittar, LOST IN LUST. A composição é feita a partir de plano-de-fundo preto sem detalhes em que uma amálgama de imagens de Vittar é mesclada e editada em tons de azul, amarelo, branco, preto e rosa, criando grande contraste entre as sombras e deixando com que diferentes poses e ângulos da cantora se mesclem a partir da roupagem clara que ela veste (feita de penas e tecidos finos), funcionando como uma tela para projeção. A drag queen se situa inclinada à direita da composição, angulada para trás, com um close-up de seu rosto tomando toda a proporção baixa esquerda da cena.

    Seguindo o ciclo fortuito de lançamentos de Pabllo Vittar em que o direcionamento internacional nada mais traja do que uma expansão linguística de sua já solidificada expressão, LOST IN LUST faz uma mistura honorável entre a tecnologia que constrói a música brasileira e sua cena musical paradigmática: a eletrônica. Não designado a um calendário específico como o EP Prazer, Mamãe Noel ou ao fenômeno da indústria local de produzir músicas que norteiem o som das festividades de início do ano, o álbum troca a validade temporal pelo argumento espacial da boate, implicando longevidade sem defasar a experiência de seu som ao contexto cultural do país.

domingo, 26 de julho de 2026

Flert3 é paquera sonora sem firmar compromisso

Composição de estilo surrealista feita em azuis, amarelos e castanhos pálidos com os rostos das irmãs do trio de música pop Mariasss. A imagem evoca o estilo de ilustrações do jogo Dark Souls.
   
Num chamego desengonçado sob o eterno ciclo do sofrimento manifestado por músicas de ringtone vindas de 2003, as Mariasss vêm nos punir com a excelentemente produzida (e ainda assim de questionável caráter romântico) Flert3, em que encontramos um single polido à artificialidade dos sons do momento que se esquece do longo histórico de inventividade musical que carrega em seu país.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

BRUTAL PARAÍSO é o retrato musical do crescimento desenfreado de uma cidade planejada

    
Ao Luísa Sonza enunciar mais uma brincadeira de antíteses, fomos amedrontados pela possibilidade de outro projeto incapaz de atingir o público médio. O uso de antinomias é compreensível para demonstrar a contradição do íntimo, mas seu relato é mixoscópico, não necessariamente dividido com o ouvinte. BRUTAL PARAÍSO se apresenta como um projeto grandioso que dobra a aposta de debater esses sentimentos borbulhantes, só que para não ser mais um jogo de ideias repetitivo e inalcançável, deve ser capaz de ilustrar esse embate sendo por si o objeto de ensaio em vez de solução para uma pergunta.  Essa tentativa foi bem-sucedida ou teremos de abrir uma enciclopédia musical sociopolítica para entendê-la?

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Merry Christmas aqui não! Pabllo Vittar põe o Chester na mesa e faz um Natal digno de Brasil

    
O evento natalino é um espetáculo bastante esquisito para o território brasileiro. Se por um lado muito o anunciamos desde mês de outubro, passado 25 de dezembro a árvore é só mais uma decoração esperando para ser desmontada e Cristo é entregue de volta para as mãos de Deus. O que não dá pra negar é que o Natal é um momento relevante para um artista se investir, afinal de contas o tem som, gosto e imagem próprias, com uma cadeira constante todo final de ano. Ainda assim, Pabllo Vittar vir com um EP natalino é surpreendente. Enquanto experimentar, brincar e festejar não são inesperados de suas músicas, um lançamento sazonal tem claro risco: é Prazer, Mamãe Noel capaz de celebrar o nosso Natal?

quinta-feira, 4 de setembro de 2025

NMIXX remexe com Pabllo Vittar. Isso aí mexeu conosco?

    
Embora todo prato que chega à nossa mesa deva ser comemorado, não é sempre que uma delícia quentinha é entregue numa daquelas experiências de chefe internacional que gostou tanto da nossa república das bananas que decidiu se trajar de toda brasilidade possível. Espera aí, isso daqui não é pra ser sobre música? Junto ao NMIXX, Pabllo Vittar mexe a panela e entrega um delicioso petisco, que dessa vez não vem para este texto somente como uma analogia frouxa pra engatar parágrafo: MEXE é um acepipe tanto em tamanho quanto na sensação de servir e querer mais!

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

REVIEW: Não Para Não assegura o poder do brpop... Que de alguma forma é combatido por nós brasileiros

Feito uma pluma louca diante de um ventilador, a internet deu sua reviravolta com o ponteiro do relógio anunciando um novo dia e o lançamento do segundo álbum de estúdio de Pabllo Vittar, Não Para Não. Contudo mesmo a polvorosa da web esconde uma negligência sobre o pop brasileiro corrente em que, apesar da qualidade indiscutível, mantemos uma pobreza de intelecto sobre nossa indústria fonográfica.
Entenda o porquê: