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quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Mostrando os efeitos da sedação de um guepardo, Red Velvet – IRENE & SEULGI faz de Cheetah uma propaganda do IBAMA

Ilustração da publicação de análise do videoclipe e da guinada promocional de Cheetah, do duo Red Velvet - IRENE & SEULGI que agora estreia em território japonês. A imagem é composta a partir de sobreposições de cenas do videoclipe, de forma a aparentar cenas separadas e borradas em lâminas de acetato, dando a impressão de uma lembrança e correspondendo ao estilo onírico do vídeo de Cheetah. Em primeiro plano há o rosto de Irene em tons de azul, preto e verde, com enfoque nos olhos e na lateral direita de seu cabelo, gerando um reflexo na figura abaixo que tampa o topo das cabeças de Irene e Seulgi, que aparecem lado a lado e borradas. Essa composição é misturada a recortes pontuais de Irene sobre um sofá e de Seulgi, na lateral direita da imagem, que olha para o topo diagonal esquerdo, como se reparasse os olhos de Irene que sobrepõem toda a imagem. Na última camada, centralizado na margem baixa da figura, aparecem de costas a dupla, sentadas em um banco de praça de armação de metal. Todas essas composições são tonaizada em tons de laranja, amarelo, preto, verde e branco, contrastando com as nuances azuis do primeiro plano.
    Agora as pontas formam nós na oficialização do debut japonês de Red Velvet – IRENE & SEULGI com o videoclipe da faixa-título Cheetah, mostrando a efetividade da tática rocambolesca de uma divulgação às inversas, em que, dois meses após o anúncio com um EP digital amplamente acessível, ainda é borbulhado na internet o quão confuso é seu ciclo promocional. Tratado propriamente como uma estreia com a intenção de atrair qualquer audiência nova sem assumir fluxo automático dos fãs de Red Velvet (pela estética, por ser um dueto ou por motivos internos à aventura autônoma dessa filial da SM Entertainment), Cheetah é beneficiário da premissa da publicidade a todo custo, em que as reclamações e dúvidas ao método de lançamento fez circular seu material de campanha e manifestar o interesse à pré-venda do álbum físico, o que agora engrossa sua métrica oficial.

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

No alto-contraste do surrealismo cinematográfico, eyed observa a harmonia do silêncio no pré-lançamento silence

Composição digital predominantemente em breto-e-branco com leve tingimento púrpura que separa fotografias do videoclipe de silence do grupo electropop japonês eyed. A montagem sobrepõe cenas em torno da pose escultural das integrandes no centro, desenvolvendo textura e moldura criadas pela aproximação das faces das artistas, capturas da coreografia e delineado de dunas que fazem parte do cenário do videoclipe.
    Camuflado entre o nicho musical e a discrição luxuosa de vanguarda, eyed tonaliza seu estilo com o single de pré-lançamento silence. Pouco é sabido sobre o grupo, o que na prática ajuda a sedimentar sua teatralidade no percurso até o debut, cuja data deve ser apropriadamente informada em novembro após a divulgação da canção shock. Ainda não é possível confirmar a direção artística proposta para o projeto, apesar da consistência do minimalismo contrastado por adereços no material gráfico apresentado, equivalendo à contraposição do som rápido e texturizado em melodias atmosféricas sombrias experimentada na estreia.

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Pang Pang Pang traz o apetite que faltava à mesa da nova fase de Kyary Pamyu Pamyu

Montagem digital a partir das duas imagens promocionais até então lançadas para o single Pang Pang Pang. Na composição, Kyary aparece ao centro dentro de uma estrela desenhada. Sua imagem é editada de forma a abafar os tons e criar contrastes às áreas de luz, como uma fotografia antiga desbotada. Ao redor dessa estrela, que é texturizada para parecer um vidro de urânio, uma grande fotografia da cantora toma conta de toda a porção direita da tela e é recortada no lado esquerdo pela coluna de um armário de cozinha.

    Está sendo turbulenta a temporada de lançamentos de Kyary Pamyu Pamyu, ora acontecendo aos atrasos, ora na surdina ou debilitada das qualidades que acompanham sua carreira. Seja qual for o empreendimento, o que se vê constante nesse ano é o quão presente a artista tem sido, emendando shows, comemorações, músicas e produtos sucessivamente ao passo de ter seu nome de volta às campanhas publicitárias de mídia mista que expandem seu som e imagem a projetos exteriores. Em associação à emissora pública japonesa NHK, Pang Pang Pang é a música de encerramento da animação PANDOROBO e surpreende por continuar na cena hardcore da música eletrônica como KURU KURU HARAJUKU, alinhando as ideias até então avulsas do esperado álbum de 2027.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Mesmo sem circuito promocional decente, Cheetah sobressai pela qualidade de seu lançamento

A miniatura é formada por vários recortes de mesmas três imagens promocionais do lançamento do mini álbum Cheetah da dupla Red Velvet – IRENE & SEULGI, em que os rostos das cantoras aparecem mesclados (SEULGI na direita e IRENE na esquerda da cena), tonalizados em amarelo, rosa, bege, azul pastéis e alguns tons contrastantes de laranja, verde e preto.
     Jogado às traças, seja pelo sempre segundo plano dos ciclos promocionais de Red Velvet ou porque está fazendo jus ao método surpresa de divulgação do cenário musical nipônico, Red Velvet – IRENE & SEULGI finalmente estreia em terras japonesas, anunciando-se de um show para um EP de formato digital e, em novembro, se tudo não mudar de última hora, o lançamento físico. Cheetah, em sua experiência compacta de cinco músicas, é fiel à identidade geral do grupo, casando-se ao som muito distinto das vozes e dos solos de suas participantes, embora se perca como representação para um dueto já definido pelo estilo sensual e sombrio de suas produções sul-coreanas.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Kyary Pamyu Pamyu entrega um espetacular exercício de design no clipe de KURU KURU HARAJUKU

Ilustração feita a partir de colagens de cenas do videoclipe KURU KURU HARAJUKU da cantora japonesa Kyary Pamyu Pamyu. Na imagem, a cantora aparece centralizada em pose dinâmica, com sua perna esquerda levantada em direção à câmera e o braço direito estendido para cima, na diagonal, como se andasse de maneira exagerada. A composição é colorida de forma a salientar tons de verde, vermelho, amarelo e branco da imagem original, ainda assim de maneira naturalista. Ao fundo, uma união de outras poses da cantora e partes do cenário (uma sala castanha alaranjada com elementos tecnológicos e letreiros que legendam a canção) borrados de maneira indistinguível, criando uma massa de informação que amplia a sensação de movimento da cena. A imagem é finalizada com texturas granulares que destacam os pontos de sombra da composição.
    Correndo atrás do tempo perdido, Kyary Pamyu Pamyu sela o compromisso à nova era com o vídeo à música que deu seu início, KURU KURU HARAJUKU. No clipe temos uma visualidade distinta às literalidades da letra e mais próxima de uma ilustração do transe rítmico elaborado na canção, compondo uma dinâmica atualizada do território de Harajuku a partir de sua cena criativa borbulhante sempre em mudança e visada ao futuro.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Com beijinhos tímidos e papos desencantados, aespa não engata o relacionamento de KISS N TELL

Montagem em tons de rosa, azul, amarelo, preto e branco feita a partir de imagens recortadas do videoclipe da música KISS N TELL. A composição é criada por poses borradas das integrantes do grupo ao fundo, sobrepostas por um zoom de NINGNING e GISELLE se aproximando da base da imagem em um carrinho de bate-bate. A imagem é finalizada de forma a ter um chanfro em pontos de destaque da cena.
  A manobra apressada de legitimar o debut japonês do aespa a pouco mais de um mês da publicação do segundo álbum coreano expõe a estratégia parca de tratamento da SM Entertainment às novas gerações do kpop: com discografias muito esparsas ou mal espaçadas, sem grandes dinâmicas promocionais, a coerência estética dá lugar a uma alimentação forçada de lançamentos em que o volume tem maior mérito que sua vitalidade. Embalado em um EP de beijocas despretensiosas, KISS N TELL diz ao público ter um segredinho para contar… Será que isso trará algo suculento para sua discografia?

sábado, 4 de julho de 2026

Agora com clipe, Focus Focus ampliou nosso ponto de vista?


Montagem feita com cenas do videoclipe de Focus Focus, da artista Kyary Pamyu Pamyu. A imagem, que tem formato quadrado, mostra sobreposições da cantora sobre neblina azul-clara.
    
Está no ar o clipe de Focus Focus, que enfim dá a definição visual do som da nova fase de Kyary Pamyu Pamyu. Embora venha de uma conclusão plausível de seu anúncio (feito por uma espiadinha dos bastidores de gravação), o lançamento deixa às claras a dificuldade de comunicação do mercado fonográfico japonês, cuja falta de clareza nas datas, aquisição e estética entre produções exige do público concentração mística para saber quando e como se terá acesso ao material. Agora que foram corrigidas as lentes que observam o single, conseguimos ver melhor os seus detalhes?

sábado, 27 de junho de 2026

Necessitada de cirurgia corretiva, Focus Focus experimenta muito sem aparar as bordas

    
Num ano de péssimas mixagens e masterizações, em que artistas abolem a engenharia de suas criações à necessária etapa da produção musical, Kyary Pamyu Pamyu embala a celebração dos seus 15 anos de carreira com a robusta e horrivelmente formatada Focus Focus, que mira longe ao se aventurar em territórios estilísticos desconhecidos, enquanto nos põe a questionar a profundidade de campo: será que faltou grau na lente para ler as configurações de exportação do DAW?

segunda-feira, 28 de julho de 2025

KURU KURU HARAJUKU é o retorno intimista ao fenômeno Kyary Pamyu Pamyu

Colagem digital de imagens da sessão de fotos de 2025 do anúncio de retorno da cantora pop japonesa Kyary Pamyu Pamyu após o nascimento de seu primogênito. Editado com texturas ruidosas em tons vibrantes de rosa, amarelo, verde, azul e violeta, a cena se organiza a partir da face de Kyary ao centro sobreposta pela imagem de um dragão que faz parte de sua peruca criativa. Ao seu redor um grande zoom dessa mesma imagem constrói o plano de fundo, recortada de forma a parte direita de sua face (mostrando lábios e nariz) e a lateral de seu penteado.

    Marcado pela participação da equipe criativa presente desde o debut, a apresentação pública de seu primogênito e a continuação da investida no eletrônico hardcore, KURU KURU HARAJUKU reafirma a competência e o apoio da comunidade de Kyary Pamyu Pamyu mesmo em sua etapa independente da carreira. Ainda assim transpira a preocupação: depois de quatro anos sem grandes lançamentos, será este single capaz de reavivar o público adormecido?

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

REVIEW: FEMM incorpora a boneca possuída da Xuxa em seu (rascunho) de EP, dollhouse - Adirector will write (é verdade esse bilete)

Sem você saber, sem você pedir e sendo o que você precisa, o duo plástico ativista FEMM dá a cara a tapa na internet trazendo bebidinhas e salgadinhos para alimentar a anêmica, eternamente esperançosa, juventude da música. As letras pontiagudas, o classicismo popular desconfigurado e o efeito "não sei o que está acontecendo, mas estou aqui por isso" marcam a assinatura do projeto, que continua seu caminho de maturidade artística no EP dollhouse: uma acentuada, específica e afoita ideologia posta em prática de uma maneira regular e esperada, porém  capaz de revelar muitas das verdadeiras cores da sua comunidade de fãs.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

REVIEW: mesmo com todos os problemas de sempre, Japamyu segue como um dos lançamentos mais divertidos de Kyary Pamyu Pamyu

Do surpreendente alarde de definhar o cenário pop japonês pelas crias de Yasutaka Nakata, nessa quarta-feira, dia 26, o quarto e tão polêmico álbum de Kyary Pamyu Pamyu arrebentou as barragens da internet para atiçar o fogaréu das fãs póstumas do estilo acumulador do DJ. Com toda a reflexão das últimas semanas, pudemos lavar as mãos e aceitar os benefícios desse seu momento displexo. Contudo, a dúvida não foi sanada: o novo som homeopático do produtor trouxe alguma melhoria para a tralha discográfica da sua menina-dos-olhos?

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

REVIEW: Future Pop medita com sinceridade sobre o futuro de Perfume - e da música mainstream global

Essa é uma revisão um tanto atrasada, contudo tenho de admitir que também estive muito atrasado para ouvir isso, já que apesar do meu grandioso amor por Nakata - que aparentemente é a nova pauta permanente do blog -, não estive empolgado por sua atual era de mixagens: jurava ser muito básica, american-based e com uma infortuna semelhança aos trabalhos pouco imaginativos do jockey russo-alemão ZEDD.

 Apesar disso, era questão de eventualidade escutar esse álbum, em vista de que (o que se pode ser chamado como) minha longa amizade com o grupo não findaria em uma dupla de decisões musicais duvidosas ao lado de todo o brilhantismo construído na carreira das três meninas. Colando isso ao meu novo chamego com o serviço de streaming Spotify, Future Pop teria sua justiça em meus ouvidos durante minha viagem ao interior de Minas Gerais.

 Após duas sessões cabo-a-rabo, com bom hiato reflexivo entre elas, eis meu veredito:

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

O cometa Kyary: a explosão e fracasso de uma das maiores aberturas da indústria fonográfica japonesa para o resto do planeta

Se você não esteve a par da deliciosa bagunça ao redor da aparição, ascensão e - velocíssima - queda da carreira de Takemura Kiriko - a iconoclasta parnasiana Kyary Pamyu Pamyu -, ao lado de uma das fases mais burlescas e conspiratórias da indústria sonoplástica japonesa, é porque provavelmente em 2011 havia um mundo muito diferente na internet para se prestar atenção: o YouPix era relevante, a Jovem Pan mantinha algum tipo de integridade (ou o que é que considerávamos e deixávamos passar por dignidade naquela época) e o sentimento derrisório estava em todos os cantos: arquétipo dos memes em quadrinhos,  9GAG, expansão doméstica do facebook e aterros virais brasileiros feito Não Salvo e Ñ.Intendo.

Ainda assim, mesmo a um ermitão da web, o intricado momento foi grande demais para sequer não viajar como ondas energéticas: contra todas as possibilidades, uma abertura massiva dos mercados culturais asiáticos que arrombou a complexa linha mercadológica autossustentável ao ponto de chegar com instigantes curiosidades do outro lado do mundo - e aparecer na vida cotidiana pela moda, pela música e pelo... Fantástico. *Plim plim*