Correndo atrás do tempo perdido, Kyary Pamyu Pamyu sela o compromisso à nova era com o vídeo à música que deu seu início, KURU KURU HARAJUKU. No clipe temos uma visualidade distinta às literalidades da letra e mais próxima de uma ilustração do transe rítmico elaborado na canção, compondo uma dinâmica atualizada do território de Harajuku a partir de sua cena criativa borbulhante sempre em mudança e visada ao futuro.
O encaminhamento de novos clipes, outras músicas e eventuais lançamentos robustos é sinal imensamente positivo de que os esforços de Kyary e sua equipe estão dando retorno social-econômico. Sem a intenção de rodear a análise unicamente em torno da independência dessa etapa (já muito falado aqui, aqui e aqui), o alívio do sucesso permite a atenção para a criatividade do projeto sem o medo de um possível sumiço silencioso da carreira. KURU KURU HARAJUKU faz um meio-termo muito atraente entre assinaturas da videografia da cantora e a leitura de vanguarda esportiva do som techno, com a poética da transformação veloz usada para estabelecer o futurista figurino utilitário e o movimento cíclico do videoclipe com fluxo constante por adições e repetições.
O espetáculo de direção sobre a simplicidade faz parte do histórico de produções da artista, dessa vez até mesmo de modo mais refinado que clipes como Ninja Re Bang Bang e HARAJUKU IYAHOI, estabelecidos pelo enfoque na coreografia e uso de técnicas de computação gráfica. Em acertos consecutivos, Kyary Pamyu Pamyu retorna ao seu eixo de criações muito interessantes que movimentam a discussão e a expectativa por novas experimentações audiovisuais. Que esse anseio continue a ser abarcado pela boa recepção do público, constatando, em sua carreira duradoura, o mérito de dialogar no mundo da música, de forma muito particular, a tecnologia, a moda e o design gráfico.

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