Inscreva-se para acompanhar as publicações deste blog.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Ambientada no espaço recluso de uma floresta fria, Babyline prepara o timbre para novo álbum de La Roux

 
   
Abrindo o circuito promocional de Old Flames, previsto de ser lançado em novembro, La Roux prepara o público com duas músicas, Cabin Fever e Babyline. Enquanto a primeira timidamente introduz o som do novo álbum, é com Babyline que as pontas são amarradas aos trabalhos anteriores da artista: arraigada no tom sintético da new wave, a canção cria um bom conectivo à ideia do distanciamento ilustrado pela capa ao trazer notas do ambiente tribal esterilizadas em um pop sofisticado.

    A escolha de gêneros consegue equilibrar o contraste entre a arquitetura luxuosa da sonoplastia da artista aos instantes efêmeros de natureza em silvos florestais, como quem coloca a cabeça de um urso para decorar uma sala amadeirada. De todo modo, é interessante assumir esse som como um afunilamento ainda mais intenso do estilo familiarizado com La Roux desde a saída de Ben Langmaid do duo, até então destacado por uma produção eletrônica bem texturizada que foi transformado por uma leitura sóbria do uso desses sintetizadores extravagantes.


    
Por mais experimental que La Roux tenha sido desde o início de carreira, a continuidade em sua lógica musical lembra o estímulo solo de Alison Goldfrapp, em que há uma assinatura bem-disposta, diretamente associada aos gêneros e imagens conduzidos, que é polida à plasticidade ultra mod e se mantém exploratória pela própria imagem da cantora. Tanto que quando se põe a revisar o single Babyline, até um vínculo visual aos últimos projetos é encontrado no campo minimalista da cena e espaço (da capa, do videoclipe…) contraposto pela moda e imagem de Elly Jackson. Isso porque ela é a identidade, e por conseguinte o som é contínuo em vez de repetido, que se assume como a linguagem que essa figura comunica sua visualidade com o público.

     Ainda é muito cedo para se ter um panorama tonal de Old Flames, principalmente pelas prévias serem suficientemente distintas e estarem tão separadas no corpo da obra, deixando em dúvidas se é um retorno de som, a conclusão de uma seção ou um resumo do álbum. Com um sabor anticlimático, Babyline permanece a qualidade esperada de La Roux sem despertar grande curiosidade ao que há por vir, hesitando a exploração das cores e estilos mais aventureiros do material promocional divulgado.

Babyline (2026) - La Roux | La Roux sob licença de Universal Music Operations Limited
prós.: som particularmente refinado, como coquetel e antepasto com temperos exóticos.
cons.: sem incendiar surpresas ao novo lançamento, Babyline deita no imenso conforto do som já conhecido de La Roux.
★★★☆☆ 3/5
👍👎

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe sua opinião!